domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cemitério São Luiz

Encravado entre os bairros paulistanos Jardim Ângela e o Capão Redondo, o Cemitério São Luiz é tido como o terceiro mais violento do mundo, perdendo apenas para o de Calín e o de Medellín. Estima-se que 80 % dos seus 150.000 sepultados tiveram mortes violentas, entre os quais, dois terços seriam homens, com idades entre 13 e 25 anos.Quatro entrevistados contam histórias de vida e de morte de seus parentes enterrados no São Luiz, compondo um quadro complexo, profundo, duro e humano sobre a existência na periferia das grandes cidades.

direção e roteiro: Ana Paul
produção: Edu Guimarães
fotografia: Aloysio Raulino
som direto: Paulo Seabra
montagem e edição de som: Eduardo Kishimoto
entrevistados: Fernando de Andrade Oliveira, Fátima Nazário da Luz Santos,
Paulo Mariano da Silva e Abigail Augusta dos Santos

Cemitério do Bonfim pode ser transformado em museu em Minas Gerais

O local possui estátuas e monumentos tão belos que a prefeitura da cidade quer transformar o cemitério em um museu a céu aberto. Cerca de 500 túmulos com obras de arte foram catalogados.
 

Padre diz que deixa de ceder salão para velório em Monte Verde


O padre José A. Cavalcanti Franco, pároco de Monte Verde, enviou carta ao prefeito Emydio Moreira Filho, pleiteando a construção de velório municipal.
No final da carta, informa que “a partir desta data nós faremos as devidas limpezas no salão comunitário e não mais cederemos o espaço para velórios”.
Eis a íntegra da carta:
“Exmo. Sr.
Emydio Moreira Filho
DD.Prefeito Municipal de Camanducaia
 Prezado senhor,
Venho respeitosamente até a V.Exa. para fazer-lhe novamente a mesma solicitação que fiz pessoalmente em seu gabinete de trabalho no mês de abril do ano corrente de sua posse.
Acreditei na afirmação de V. Exa. que na semana seguinte nós teríamos uma solução para nosso pedido. Com alegria e confiança comuniquei à comunidade o apoio que teríamos do senhor prefeito para construir um velório municipal, ou aproveitar o prédio da prefeitura ao lado do Posto de Saúde, que com pequena reforma e poucos gastos a população teria o seu velório.
Infelizmente, nada disso aconteceu ficamos mais uma vez decepcionados e o problema ainda continua, as famílias não têm onde velar os seus falecidos!
Considerando as dificuldades que têm as famílias que perdem os seus entes queridos, até esta data, nós vínhamos cedendo o espaço que temos para catequese infantil no salão comunitário.
Problemas vão se avolumando! Crianças que deixam a catequese por medo do local! Pais que ficam, com razão, apreensivos em mandarem os seus filhos à catequese, pois o local se torna com características de um prédio de velório além dos problemas de saúde que eles temem ocorrer e com razão.
Para a comunidade paroquial o trabalho de evangelização e catequese é prioridade.
Consideramos que estes problemas de cemitério e velório são da alçada da municipalidade. A prefeitura não tem obrigação de ministrar catequese e nem evangelizar e a comunidade paroquial não tem o dever de resolver os problemas inerentes ao governo municipal.
Assim sendo, venho solicitar de V. Exa, mais uma vez a reforma ou a construção do velório municipal de Monte Verde com a devida urgência. A partir desta data nós faremos as devidas limpezas no salão comunitário e não mais cederemos o espaço para velórios.
Esta solicitação por escrito será também uma carta aberta publicada e divulgada para que a população tome conhecimento da forma em que estamos agindo; a mesma solidariedade que sempre tivemos com as famílias enlutadas e agora chamando o governo municipal para o seu dever.
Monte Verde hoje, ainda é um distrito de Camanducaia, mas já é uma cidade com todas as suas características de cidade turística.
É urgente e necessário que o governo municipal mude seu olhar para Monte Verde e não veja apenas como um distrito, zona rural, mas distrito-cidade.
Esta nossa solicitação parece-nos ainda pequena, entre tantas outras que urgem apresentar, mas se as pessoas não são ouvidas nas pequenas, com certeza as grandes exigem mais lutas para ser conquistadas.
Tudo seria muito mais fácil se a população sentisse aqui uma presença administrativa municipal, com certeza o seu governo recuperaria o conceito de credibilidade e a satisfação do seu eleitorado nestas paragens.
Respeitosamente, coloco nas mãos de V. Exa, a definição desta urgente necessidade.
O governo deste município foi entregue a Vossa Exa. por um grande número de eleitores deste distrito, que ouviram as suas promessas, confiaram-lhe os seus anseios e agora aguardam, já ansiosos, o seu governo alçar vôo vencendo todos os desafios existentes.
Aguardo a sua atenção e o seu deferimento.
Padre José A. Cavalcanti Franco, da paróquia de Monte Verde”

Em nome da comunidade, padre solicita ao prefeito local para velório em Monte Verde

 O padre José Franco, da Paróquia São Francisco de Assis de Monte Verde entregou ao prefeito Emydio Moreira Filho, um pedido por escrito para que seja construído um local para velório.
O Padre explica que o fato dos velórios estarem acontecendo no salão paroquial, vem perturbando muitas famílias e crianças que precisam dividir o espaço para ter aulas de catequese.
Pe. José Franco diz em sua carta, a qual foi divulgada na íntegra na internet em Voz da Terra on line:
“Venho respeitosamente até V. Exa. para fazer-lhe novamente a mesma solicitação que fiz pessoalmente em seu gabinete de trabalho no mês de abril do ano corrente de sua posse. Acreditei na afirmação de V.Exa. de que na semana seguinte nós teríamos uma solução para nosso pedido. Com alegria e confiança comuniquei à comunidade o apoio que teríamos do senhor prefeito para construir um velório municipal, ou aproveitar o prédio da prefeitura ao lado do Posto de Saúde...
Infelizmente, nada disso aconteceu ficamos mais uma vez decepcionados e o problema ainda continua, as famílias não têm onde velar os seus falecidos!”
E destaca em sua carta ao Prefeito:
“A partir desta data nós faremos as devidas limpezas no salão comunitário e não mais cederemos o espaço para velórios”.
VOZ DA TERRA entrevistou o Prefeito, logo que foi entregue a carta, ele garantiu que em breve estará dando continuidade às obras do prédio inacabado ao lado do Posto de Saúde, onde será o velório da comunidade. “Primeiro vou terminar a reforma da creche, logo após, vou contratar outros ajudantes para construir a sede de velórios.
Também pretendo em seguida reformar a Escola Karlis Kempis”, conclui o Prefeito.

Suely Silva

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fichas-sujas lançam parentes para não ficar fora da eleição

A aprovação do projeto Ficha Limpa fez surgir um novo personagem para as eleições de 2010: o candidato reserva. Com medo de ficar fora da disputa, concorrentes ao pleito de outubro que podem ser barrados pela nova legislação lançaram parentes para disputar o mesmo cargo ao qual competem. A artimanha tem explicação: caso sejam realmente impedidos de se candidatar pela Justiça Eleitoral, entra em cena o filho, a mulher ou a irmã para tentar manter a herança política da família. Pesadelo de políticos encrencados com a Justiça, a Lei Ficha Limpa impede candidaturas de condenados em decisões colegiadas.

Embora o Ministério Público Eleitoral (MPE) já tenha apresentado impugnação para conter os chamados fichas-sujas, a Justiça Eleitoral ainda não deu posição final sobre as representações. Pela legislação, os pedidos de candidatura poderão ser julgados até 5 de agosto. Mesmo os impedidos de se candidatar pela nova lei têm direito de apresentar defesa.

Inelegível por compra de votos e impugnado por ausência de quitação eleitoral (multa não paga), a forma caseira encontrada pelo deputado estadual Pinduca Ferreira (PP) para evitar o risco de não disputar nova eleição para a Assembleia foi acionar a mulher, a dona de casa Sônia do Pinduca (PP). O herdeiro natural seria o filho, o vereador por Betim Leo do Pinduca (PP), cassado por compra de votos. Pai e filho, no entanto, brigaram com direito a boletim de ocorrência da delegacia da cidade, reduto eleitoral da família. Pinduca pai ganhou fama por causa de arsenal assistencialista, que inclui frota de ambulâncias, serviços de translado para velório e futebol, distribuição de verduras, churrasco, pipoca, refrigerante, entre outros.

O deputado Pinduca, inelegível, recorreu à mulher, Sônia do Pinduca - ( Jair Amaral/EM/D.A Press)

O também deputado estadual ficha-suja Irani Barbosa (PMDB), que luta na Justiça para se manter no cargo, sacou o filho, o vereador por Belo Horizonte Iran Barbosa (PMDB), para resguardar a disputa da família por vaga na Assembleia. O deputado foi condenado por não cumprir intimação judicial em processo que figurava como testemunha. O parlamentar é investigado por crime de corrupção passiva no Inquérito número 2660/2007, que corre no Supremo Tribunal Federal (STF). No processo, Irani é acusado pela Procuradoria Geral da República de cobrar propina de R$ 700 mil da empresa Minasterra Empreendimentos Imobiliários Ltda. Em troca do dinheiro, conseguiria na Prefeitura de Ribeirão das Neves a renovação de alvará para construção de um cemitério na cidade.

Cassado do cargo por ter negociado votos em troca de sopa, o 1º vice-presidente da Câmara Municipal de BH, Wellington Magalhães (PMN), é outro político encrencado com a Justiça que já deixou de sobreaviso um consanguíneo para tapar o buraco. Magalhães escolheu a irmã, a professora de ensino médio Arlete Magalhães (PMN), para tentar despejar seus votos.

Pedir anulação de registro de candidatos com ficha suja

Na eleição de 2008, ele foi reeleito com a segunda maior votação da capital. Na véspera do pleito, para alavancar sua candidatura, o então vereador conseguiu autorização e fechou parte de uma via pública onde patrocinou um showmício com a presença do cantor sertanejo Eduardo Costa, cujo cachê não sai por menos de R$ 50 mil. Na época, Magalhães alegou que estava comemorando seu aniversário.

Para o professor Luiz Fernando Abrúcio, da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo, a proliferação do “candidato reserva” representa, na realidade, mais uma repercussão positiva da lei do Ficha Limpa. “Isso mostra que os políticos problemáticos estão amedrontados. Desesperados, eles vão tentar eleger os parentes, o que não é ilegal do ponto de vista jurídico. Apesar de ter sido enfraquecido nos últimos anos, esse fenômeno do familismo ainda pode ser notado no período eleitoral”, explicou.

Outro lado

Indagado por qual motivo vai disputar contra o próprio filho, o deputado Irani Barbosa (PMDB) reagiu com ironia: “Você acha isso curioso? Então continua com a sua curiosidade”, declarou, antes de encerrar a rápida entrevista por telefone. Em seguida, durante pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa, o parlamentar peemedebista, num momento de sinceridade, admitiu que foi cassado por determinação do TRE.

Apesar da decisão, Irani insiste na tese de que não é ficha-suja. “Sou deputado, sou candidato e tenho a ficha limpa”, assinalou. Procurado, o deputado estadual Pinduca Ferreira não retornou contato da reportagem. O vereador Wellington Magalhães não foi encontrado para comentar a candidatura da irmã.
Estado de Minas

Lotado, cemitério de Ilhabela vira alvo de reclamações

A falta de espaço para novas sepulturas está causando problemas em Ilhabela, no litoral norte paulista. O problema começou porque a prefeitura decidiu transferir as ossadas para cem gavetas construídas por causa da falta de espaço no cemitério. Quarenta e um corpos teriam sido exumados.
Pelo menos dois moradores da cidade reclamam da exumação de corpos de parentes enterrados no local sem prévio aviso, conforme determina uma lei municipal. "Ossadas estão sendo retiradas a esmo", acusou uma moradora que não quis se identificar. Segundo ela, cujo pai está enterrado no cemitério municipal há mais de cinco anos, somente poucas horas antes da exumação ela foi avisada pela administração. Outra moradora disse que há dois meses o túmulo de seu irmão foi aberto, antes que ela fosse avisada.
De acordo com a prefeitura, a exumação está prevista em lei municipal e pode ser feita após cinco anos do enterro. E, mesmo não sendo exigência da lei para sepulturas temporárias, os parentes são comunicados sobre a necessidade da exumação. A prefeitura informou ainda que as sepulturas temporárias são arrendadas por 3 ou 5 anos e a lei municipal prevê a convocação dos parentes apenas na exumação de sepulturas perpétuas.
O órgão acrescentou que os fatos denunciados teriam ocorrido por descuido de uma funcionária, que só avisou as famílias horas antes da exumação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.